Gustavo Petro acusa uso de “tecnofascismo” e algoritmos nas eleccións de Abelardo de la Espriella

03 de setembro de 2026

O ex-presidente de Colombia, Gustavo Petro, acusou nesta quarta-feira (02/09/2026) o uso de “tecnofascismo” e algoritmos manipulados nas eleições presidenciais em que Abelardo de la Espriella saiu vencedor. As declarações foram feitas durante a conferência “El Capital en el Siglo XXI: Economía política de la crisis climática” no auditório Alfonso Caso da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), em Ciudad de México. Petro sustenta que essas práticas teriam favorecido o ultradireitista De la Espriella em detrimento de Iván Cepeda, seu candidato apoiado, nas votações de 21 de junho. A acusação inclui elementos tecnológicos, geográficos e estatísticos e levanta debate sobre a legitimidade do resultado. Importa porque questiona a integridade do sistema eleitoral colombiano e antecipa desafios similares na América Latina.

Acusações de Petro: “algoritmos israelíes” e tecnofascismo

Durante o evento na UNAM, Petro afirmou que houve uma manipulação automatizada no software de escrutínio usado nas eleições, que segundo ele teria sido operada por uma empresa israelense. Na fala, ele declarou: “En el balance general de las elecciones, [De la Espriella] solo pudo ganar porque hubo algoritmos israelíes actuando de forma automática, en el software de escrutinio, y al ver que le faltaban votos, se los ponían en 1.300 puestos de votación”.

Petro também usou o termo “tecnofascismo” para caracterizar o que descreve como uma fusão entre tecnologia, manipulação de dados, e concentração de poder político ideológico. Ele alertou que esse modelo de interferência eleitoral poderia se estender para eleições futuras em México (intermediárias de 2027), Brasil e até nos Estados Unidos.

Reação institucional e contexto legal prévio

Desde a certificação do resultado pelo Consejo Nacional Electoral (CNE) da Colômbia, que reconheceu Abelardo de la Espriella como vencedor com 12.959.542 votos (49,66 %), os argumentos de Petro têm sido contestados. O candidato Iván Cepeda obteve 12.708.712 (48,70 %), segundo o escrutínio provisorio.

Instituições como a Registraduría Nacional responderam aos alegados sinais tecnológicos de fraude com críticas ao desconhecimento técnico das acusações. O registrador Hernán Penagos declarou que os argumentos apresentados refletem uma falta de compreensão do funcionamento do sistema eleitoral e do censo eleitoral.

Além disso, um informe técnico de inteligência enviado ao governo colombiano no fim de junho desestimou como fonte considerada por Petro uma denúncia de hacker por falta de evidência de manipulação concreta. O documento afirmou que ainda não há prova suficiente de alteração nos resultados, embora confirme que houve divulgação antecipada de credenciais de usuário do software utilizado.

Dimensão internacional: advertência para México e América Latina

Petro não limitou suas críticas à Colômbia. Ele advertiu que o uso de algoritmos para alterar resultados eleitorais é uma ameaça regional. No México, expressou preocupação com as eleições legislativas de 2027. Em Brasil também apontou risco, e afirmou que os métodos usados teriam legitimidade internacional por parte de classes políticas conservadoras.

Na sua fala, reforçou que “México está en peligro” se adotar tais práticas, alertou contra manipulação via bots e software automatizado, e criticou o que chamou de financiamento midiático de desinformação contra Iván Cepeda. Disse também que “no fue la gente… hubo millones…” embora lamentando que, em sua avaliação, o resultado se deu devido ao que interpretou como uma combinação de votos legítimos com manipulação tecnológica.

Reações antecipadas no México

  • Recepção estudantil: O auditório Alfonso Caso compareceu em massa à conferência, simbolizando interesse crescente no tema do uso político da tecnologia.
  • Clima político local: A presidente Claudia Sheinbaum se reuniu com Petro antes da conferência; ele afirma tê-la alertado sobre o risco desse modelo se reproduzir em México.
  • Instituições mexicanas: Ainda não há resposta oficial contundente das autoridades eleitorais mexicanas sobre os alertas feitos por Petro.

Antecedentes do discurso: eleições de junho e acusações anteriores

No dia 21 de junho de 2026 ocorreram as eleições presidenciais da segunda volta na Colômbia, onde Abelardo de la Espriella foi declarado vencedor pelo CNE.

Depois do resultado, Petro não reconheceu a legitimidade do resultado, alegando que houve manipulação algorítmica do processo de escrutínio, que favoreceu De la Espriella. Entre suas acusações esteve a atuação de uma empresa privada israelense chamada Black Cube associada a intervenções eletrônicas vindas do exterior, inclusive com IPs localizados nos Estados Unidos.

Em julho, o presidente Petro encaminhou ao Conselho de Estado uma demanda de nulidade eleitoral baseada nessas acusações. O documento trazia supostos indícios de irregularidades algorítmicas e bots, mas ainda não houve decisão judicial definitiva sobre as alegações.

A técnica usada nas denúncias inclui menção de “testigos digitales”, pessoas que teriam identificado falhas no software e manipulações nos formulários E-14, que registram fisicamente os votos das mesas de votação. Essas testemunhas afirmam que há discrepâncias entre os formulários físicos e os dados transmitidos para as bases oficiais.

Portanto, as acusações de hoje não são novidade, mas marcam uma escalada do discurso de Petro fora da Colômbia, levando o conflito democrático para um cenário internacional, em especial para o México, onde alertou para processos eleitorais vindouros. Importa observar como países vizinhos vão responder tecnicamente às denúncias de manipulação eleitoral referidas.

Este artigo se basa en información de fuentes públicas disponible al momento de su publicación.

Autor

Por Xornal Galego

Xornal Galego, un xornal galego, en galego e para todo o mundo

Deixa unha resposta